Progresso espiritual: sempre linear?

Como vocês sabem, o tema da temporada atual é a conquista das virtudes. É sensacional que possamos aprender, um pouco mais, sobre o que são as virtudes e como torna-las práticas em nosso dia-a-dia.

Todos nós queremos ser santos, não é mesmo? Buscar nossos ideais, tornar vivo o carisma de Schoenstatt em meio ao mundo, e o fazer a partir de nossa vocação e história pessoal.

Seria, contudo, imprudente, se não levássemos em conta um detalhe: somos muitíssimo humanos e carregamos em nossos ombros o peso do pecado original. E é por isso que a luta por conquistar as virtudes e se afastar dos vícios é uma constância inseparável do aprofundamento espiritual. Só progride, quem continua sempre a lutar.

Sendo assim, quando caminhamos na conquista de uma determinada virtude o nosso crescimento e amadurecimento espiritual não é sempre linear, ou seja, não lutamos e vencemos uma vez apenas. Caminhamos, progredimos, caímos, pedimos perdão, recomeçamos.

Quando caímos, naturalmente nos ocorre que escancarar nossa fraqueza é sinal de retrocesso, mas o progresso continua a ser medido pela nossa capacidade de pedir perdão a Deus, com humildade, e recomeçar. Deus não se surpreende com nosso pecado, disse certa vez Papa Francisco, mas sim com nosso egoísmo e abandono.

Podemos lembrar, inclusive, daquela passagem em que Javé fala pela boca do profeta Jeremias e diz que “o povo mal não somente recusou a fonte de Água Viva, como também construir cisternas para não reter a Água”. Que loucura não? Não apenas negamos que Deus – Fonte de Água Viva nos fale, mas insistimos em construir cisternas para não reter absolutamente nada. Que não sejamos assim, tão ingratos, não é mesmo?

E que nossa capacidade de amar seja aumentada, sempre mais, com o auxílio da Graça de Deus, para continuarmos a progredir mesmo com nossas naturais quedas.