AINDA ESTAMOS NA QUARESMA

Iniciamos mais um mês: o mês de São José no Ano São José. Sequer chegamos à metade da Quaresma desse ano e tanto já nos ocorreu. Várias partes do país (escrevo do Paraná) passam por um período de restrições governamentais (devido a pandemia) e, como no ano passado, nos encaminhamos para uma quaresma vivida dentro de nossas casas, nossa Igreja Doméstica, em torno de nosso santuário-lar (tão próprio à Schoenstatt).

Poderíamos nos questionar como experimentar os elementos essenciais da quaresma longe dos sacramentos, e a resposta não é simples. Oração, penitência e caridade caminham, estreitamente, à vivência comunitária e à vida sacramental, presenteadas pelas Igrejas que agora, em sua grande maioria, estão fechadas.

O que fazer então?

Penso que seja muitíssimo prudente uma atitude de vigília. Uma atitude que busca da contrição e o arrependimento dos pecados, ainda que nem sempre seja fácil encontrar a confissão – e quando for possível novamente, nunca deixar para depois, nunca deixar para a semana que vem. A busca por estar em estado de graça, afastar-se dos pecados mortais e lutar, ardentemente, contra os pecados veniais, deve ser constante.

A prática da comunhão espiritual diária também parece ser muito significativa. Santo Afonso Maria de Ligório escreveu uma fórmula belíssima e facilmente memorizável a respeito.

Além disso, esse tempo pode e deve ser vivido no entorno de nossos santuários lares (ou santuários quarto, santuários trabalho): com a oração do terço em família, leitura bíblica e espiritual, ladainhas, via sacra, além de acompanhar as celebrações (especialmente dominicais) pela televisão e buscar, quando possível, a Eucaristia e a confissão.

Em resumo: empreender meios concretos de santificação e confiar, filialmente, na misericórdia de Deus, que conhece profundamente nosso coração. Notem, se trata de resistir a esse tempo de dificuldades, mas de – especialmente – cuidar de nossas almas. Há pouco que nós podemos fazer no plano prático (do ordenamento da sociedade e na decisão das políticas públicas relacionadas à pandemia), mas há muito por fazer no plano espiritual. Podemos rezar, e devemos nos esforçar para oferecer muitos capitais de graça pelos doentes e pelos que sofrem, e também pelos governantes, Bispos e suas decisões. Podemos nos preparar espiritualmente para a Páscoa, experimentando em nós um deserto que floresce na talha do santuário lar.

A quaresma ainda não acabou e esse tempo continua sendo propício para fortalecer nossa fé para os tempos que virão.

Avante!