Fé na Divina Providência – parte 1


A fé em Deus e a fé na sua Providência são inseparáveis.

Uma vida inspirada pela fé providencial é simplesmente uma expressão, prova, perfeição e garantia da totalidade da vida de fé. Daqui decorre que quem enfraquece a nossa fé providencialista, abana todo o edifício da nossa fé; quem o fortalece, revive e vitaliza a totalidade da vida de fé.

Vamos citar algumas declarações que exprimem claramente esta convicção. Santo Agostinho declara: "Não se pode imaginar uma religião sem pelo menos acreditar nisto: que existe uma providência divina que vela pela nossa alma”. Lactantius afirma: "Deus e a Providência estão tão intimamente unidos que um não pode existir sem o outro, nem podem ser considerados como separados. Quem nega a Providência, nega a Deus. E aquele que acredita que existe um Deus, deve também acreditar na Providência".

(Texto retirado de: "Brasilien Terziat", 1952/53) 

A fé na Divina Providência deve ser informada pela caridade.

Quando falamos de fé, referimo-nos sempre a um fides caritate formata. Isto significa que abraçamos simultaneamente as três virtudes teológicas. A fé viva inclui a esperança e a caridade. Em São Pedro vemos precisamente estas três virtudes encarnadas, naquele instante em que ele salta para a água (para ir ao encontro do Senhor que se aproximava do seu barco, caminhando sobre a água). A fé não é então para ele apenas um ato do intelecto; a fé é para Pedro um ato de entrega total de todo o homem, especialmente do coração, a Deus, neste caso, ao Senhor.

Sabem o que vos vou dizer agora. Enquanto Pedro acredita simplesmente e tende para o Senhor com todo o seu ser, ele avança com um passo calmo sobre as ondas do mar; no momento em que começa a duvidar, ele também começa a afundar-se. E depois, o apelo: "Senhor, ajuda-me, pois estou a afundar-me! Onde o fundamento das três virtudes teologais foi aperfeiçoado pelos dons do Espírito Santo, aí temos uma segurança única.

Numa ocasião, de fato em muitas ocasiões, chamei a isto a segurança do pêndulo. Uma garantia lá de cima, não uma garantia aqui de baixo. Uma segurança no coração de Deus, uma segurança no Deus do amor, uma segurança na convicção de que Deus Pai me sustenta. E ele tem uma tarefa que me confiou e vela para que eu a cumpra, ou melhor, ele cumpre essa tarefa através de mim.

(Texto retirado de: "Exerzitien für die Schoenstattpatres", 1966)
(Textos retirados do livro "Deus Presente", Compilação de textos sobre a Divina Providência, P. Joseph Kentenich, Editorial Nueva Patris, Santiago/Chile).