A fé, uma nova visão – parte 2

O espírito de fé dá-nos uma disposição positiva para com Deus. Isto não pressupõe que as coisas à nossa volta nos apontam inequivocamente para Deus, mas se a minha vida emocional está predisposta para Deus, é o mesmo que se estivesse predisposta para um ser humano. Quão rapidamente encontro o caminho para Ele! Quão rapidamente O compreendo! Esta predisposição dá-nos um instinto único de percepção sobrenatural para as coisas divinas.

Quando falta o espírito de fé, a predisposição negativa é logicamente despertada e viva; depois, instintivamente, procura-se uma série de outras causas e motivações.
A fé dá-me uma segurança instintiva singular. O instinto ajuda-me a descobrir e a sentir continuamente o bom Deus na vida quotidiana. E isto é muito importante hoje em dia, porque a humanidade moderna está a caminho de explicar a vida sem Deus.

O espírito de fé dá-me sempre a força, a coragem, a capacidade de tomar o partido de Deus em todas as situações. A fé diz: sim, Pai, sim, seja sempre feita a tua vontade!
O homem que acredita na Providência é o homem clarividente, o homem com uma visão ampla, profunda e global. Temos de ver coisas que os outros não vêem porque a fé nos revela uma realidade.

Temos de nos tornar homens de uma visão ampla e profunda; isto significa praticamente: a fé na Providência deve ter-se tornado a nossa segunda natureza. Assim podemos repetir com S. Paulo: "O homem justo vive pela fé" (Rm 1,17). Ele quis dizer: aqueles que passaram pela minha escola... podem não ser notados pela sua genialidade, mas têm um carisma: são pessoas de fé. Este deve ser também o nosso orgulho.

Uma vez que a luz da fé se apagou em inúmeras almas, devemos esforçar-nos por ver um apelo de Deus nas mais pequenas coisas da vida quotidiana. Temos de levar a sério as palavras: "Absolutamente nada acontece por acaso, tudo vem da bondade de Deus", seja o que for; alegrias, sofrimentos... O espírito de fé diz-nos claramente: tudo está no plano de Deus.

A fé prática na Providência é, sem mais nem menos, a expressão, floração e segurança de toda a vida de fé. A partir disto concluímos: quem enfraquecer a nossa fé na Providência abalará todo o edifício da nossa fé; quem o fortalecer, vivificá-lo-á e animá-lo-á.

Mesmo quando a nossa visão foi iluminada pela fé, o mistério do governo divino do mundo permanece fechado aos nossos olhos. É por isso que Lacordaire disse: "Só na eternidade compreenderemos a Providência divina nas suas profundezas mais profundas".

(Texto retirado de "Deus, onde estás?" - Aphorismos, compilado de conferências e escritos do Padre José Kentenich, e publicado a 18 de Outubro de 1972).