Importância da rotina

A rotina é sempre alvo duplo: ou encontramos pessoas que falam muito bem dela, especialmente sobre sua importância e vantagens; ou ouvimos críticas, ferrenhas, sobre seu caráter estático e sobre como ela engessa as nossas vidas.

E então percebemos, claramente, que um dos traços da modernidade é o extremismo em relação aos polos – que, por incrível que pareça, gera relativismo e comodidade. Percebam, não é o extremismo de uma vivência religiosa integral (contrário ao catolicismo self-service – quero essa doutrina, mas aquela ali do canto não – só acredito em pedaços), que em realidade não é extremista coisa alguma; mas o extremismo em conceitos que podem e devem ser mensurados até uma justa medida, e então entramos na organicidade da vida, muito bem lembrada pelo Fundador.

Quando ele diz que o máximo cultivo do espírito precede e orienta a formalidade, Kentenich ressalta que a vida interior dá o tom e o colorido à vida concreta. De nada adianta uma lista de afazeres elegante, equipamentos eletrônicos de última geração, e exercícios de organização e eficiência sofisticados, se na rotina não se insere a Deus (muito embora especificamente sobre às formalidades, ele se referisse à vínculos formais a comunidades de Schoenstatt, a compreensão se aplica).

Antes da ação, a oração – disse certa vez. E aqui voltamos ao tema da crônica de hoje: rotina.

Nossa rotina deve ser sutil o suficiente para não engessar a vida que floresce e o movimento imponderável de Deus em nossas vidas. Deus é encantador e surpreendente, não podemos deixar que nossa rotina fique estanque e não O acolha, não é mesmo?

Mas, ao mesmo tempo, deve ser firme para servir ao seu propósito: organizar prioridades, nos lembrar da aplicação concreta dos nossos ideais, nos levar ao progresso na vida espiritual.

Então como ponderar e discernir?

Deus fala sempre conosco, sempre. Inclusive em imprevistos e desafios corriqueiros do dia-a-dia. Discernir sobre isso é parte importante de um aprofundamento espiritual e da busca pela maturidade. Estou atrasada com projetos e responsabilidades? Isso significa que fui, por culpa própria, desorganizada ou os excessos não aconteceram por decisão minha? Quando o acúmulo chegou, o primeiro que deixei de lado foi Deus?

Há sempre o imponderável inculpável, mas há também os excessos por nossa própria ação: algumas vezes assumimos mais do que somos capazes, procrastinamos, somos desatentos, não é mesmo?

Ponderar e discernir é dar o nome correto às coisas: compreender de onde os acontecimentos se dão, sem esconder as próprias falhas ou reconhecer que, de fato, não partiram de nós e que – as vezes – são prova da nossa limitação (o que é bom, porque nos afasta da soberba de achar que nossas forças são próprias).

Fica sempre a lembrança: ponderar e discernir sobre como anda a nossa rotina – meditar sobre os acontecimentos, sobre como organizamos nossa semana e gerimos nossos compromissos, é importante para melhorar nosso atuar e viver. Como disse Santa Terezinha do Menino Jesus, nossa vida é um barquinho e não uma morada. Estamos à caminho sempre e não no nosso destino final. Então, que nosso viver diário nos leve até o céu.