Não concordo! E daí?

Até quando devemos nos revoltar com os acontecimentos à nossa volta? Vale a pena arrumar confusão?

É comum nos depararmos com grandes afrontas aos nossos ideais católicos, e infelizmente nossos tempos manifestam grandes dilemas e acontecimentos estapafúrdios. Em todos os campos, mas especialmente na moral e na política, enfrentamos decisões – que muitas e muitas vezes nos impactam diretamente – que estão em total desacordo com aquilo que acreditamos.

E o que devemos fazer? Como devemos agir?

A Sagrada Escritura deixa claro que podemos (e devemos) renovar o mundo pela nossa fé – e ela foi escrita na época em que o Império Romano decaía e destruía todas as bases (algumas solidificadas por ele mesmo) da civilização ocidental. Vivemos o mesmo tempo de declínio e o pedido de Jesus para renovar nosso entorno segue sendo o mesmo.
Também os primeiros mártires da nossa Igreja Primitiva experimentaram (literalmente na pele) até onde devemos ir na coerência entre nossa vida e o que acreditamos (e há, efetivamente, muitos cristãos perseguidos – ainda hoje – em nome de sua fé). A perseguição por aqui pode não ser tão enfática ou não nos tocar pessoalmente, mas a necessidade de defender a Verdade ante as mentiras de uma modernidade sem Deus, segue sendo salutar.

Evidentemente, não estou aqui defendendo a postura dos novos templários de facebook, que arrumam confusão nas redes sociais. Estou falando de um movimento de santidade pessoal e de conhecimento e defesa intelectual de nossa fé que seja uma contracorrente à tempestade dos tempos. Estou falando sobre a necessidade (inafastável, eu diria) de 1) aprofundar nossa vida espiritual e nossa vida de oração e, 2) conhecer nossa Igreja a tal ponto que seja impossível sermos ludibriados pelas propagandas enganosas a respeito de sua história, suas posturas e seus ensinamentos (e a base primeira segue sendo a oração e a vida espiritual – porque não chegaremos ao céu sendo intelectualóides, e sim santos).

E mais: não apenas para a defesa dos nossos ideais estudamos. Estudamos (lemos, meditamos, nos formamos, procuramos informações seguras, etc), porque queremos amar mais a Cristo e a Seu corpo místico. Porque queremos conhecer nosso Amor, queremos estar mais próximos de Deus e dar a Ele alegria. A motivação, para ser surpreendentemente constante, deve ser sempre positiva, nos lembra o Fundador. Não é o ódio dos que nos odeiam que nos obriga, mas o amor que carregamos no peito.

É difícil não se revoltar com os acontecimentos. É difícil não desacreditar a humanidade quando a perversidade busca se impor. Mas precisamos de um passo além: joelhos no chão, coerência de vida e luta contra as próprias misérias, e estudo sério e comprometido, conforme as possibilidades, estado de vida e vocação. Espírito de seriedade, nos diz o Fundador. Que sejamos firmes, sem perder a alegre filialidade, porque no fim, o Imaculado Coração triunfará. 

Avante!