vozes do ser

A ordem objetiva de ser

A ordem objetiva do ser, tanto no natural como no sobrenatural, é e deve ser também a norma para o nosso modo de vida. Aqui você tem um princípio que permeia toda a dogmática, moral e pedagogia.... O indicativo de ser deve se tornar o imperativo de deve ser. Seu descuido é pecado. Em outras palavras, a linguagem suave e muda da ordem do ser tem que se tornar para nós um dever sonoro comprometedor. Ou também, em outras palavras, devo me tornar o que realmente sou. Quando eu trato um objeto da maneira que corresponde à sua estrutura de ser, eu cumpro a vontade de Deus...Se eu me comportar diante das coisas de uma forma contrária ao seu sentido natural imanente e à sua estrutura de ser, então eu cometo pecado. Deus expressa, por meio de suas obras, não apenas seus pensamentos, mas também sua vontade.

Texto retirado de: "Ehepädagogische Tagung", 1933.

A estrutura do ser das coisas

A estrutura do ser das coisas sempre desempenhou um papel especial entre nós. Temos nos preocupado continuamente em questionar e questionar sobre os desejos e a vontade de Deus. Para essa fonte de conhecimento aponta aquela grande lei que, como um fio vermelho facilmente reconhecível, atravessa nossa santificação da vida cotidiana, nossos costumes e nossa pedagogia: ordo essendi est ordo agendi. A ordem objetiva de ser é a norma, até o último detalhe, para nossa ordem total de vida. E nisso partimos do pensamento de que as coisas criadas não são apenas ideias de Deus encarnado, mas também desejos de Deus. Se concebermos cada coisa criada como uma palavra de Deus e sobre Deus, então todas as coisas criadas, naturais e sobrenaturais, podem ser consideradas como um grande álbum de imagens de Deus, como um livro de leitura sobre ele, como um ensinamento vivo de Deus, que raramente nos abandona em nossa busca dos desejos divinos.
Esse pensamento era extremamente familiar para São Paulo. É por isso que ele denuncia séria e amargamente os pagãos que fizeram falsos ídolos e levaram uma vida licenciosa. Ele declara suas ações culpadas porque, a partir da criação visível de Deus, eles deveriam ter reconhecido seus mandamentos e desejos (cf. Rm 1,18-32).
Não é de surpreender que, nos tempos atuais, essa fonte de conhecimento esteja cega para amplos setores. Onde tudo se orienta para o movimento, o dinamismo, a vida, já não há sentido para o ser e para a estrutura do ser das coisas. Assim, é possível que, mesmo nos meios católicos, devido à grande confusão de conceitos e à multiforme insegurança da vida e das suas formas, o deixar-se guiar, sem hesitação, por esta estrutura do ser tenha caído no esquecimento.

Texto retirado de: "Marianische Werkzeugsfrömmigkeit", 1944.